Celebrado em 3 de novembro, o Dia Mundial e Nacional da Saúde Única tem como objetivo conscientizar a população sobre a relação entre a saúde das pessoas, dos animais, das plantas e do meio ambiente. A data destaca a importância da cooperação entre diferentes áreas do conhecimento para prevenir doenças, proteger os ecossistemas e promover melhor qualidade de vida.
No Brasil, o Dia Nacional da Saúde Única foi instituído pela Lei nº 14.792, de 5 de janeiro de 2024, reforçando a necessidade de ações integradas para enfrentar os desafios que envolvem a saúde pública e o equilíbrio ambiental.
O que é Saúde Única?
A Saúde Única, também conhecida como Uma Só Saúde, é uma abordagem que reconhece que a saúde humana está diretamente relacionada à saúde dos animais e às condições do ambiente em que vivemos. Questões como desmatamento, mudanças climáticas, poluição, falta de saneamento básico e contato com animais infectados podem favorecer o surgimento e a disseminação de doenças.
Entre os exemplos estão as zoonoses, doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, como raiva, febre amarela e algumas formas de gripe. A resistência aos antimicrobianos, a segurança dos alimentos e a qualidade da água também são questões importantes. Por isso, a Saúde Única incentiva o trabalho conjunto entre profissionais da saúde humana, da medicina veterinária, da vigilância em saúde, da agricultura e da área ambiental, entre outros setores.
Sintomas e sinais de alerta
Os sinais e sintomas relacionados à Saúde Única variam conforme a doença ou o agente causador. Em algumas zoonoses e outras doenças infecciosas, podem ocorrer:
- Cansaço e mal-estar;
- Dor de cabeça e dores musculares;
- Febre e calafrios;
- Feridas ou alterações no local de mordidas e arranhões de animais.
- Náuseas, vômitos ou diarreia;
- Manchas na pele;
Esses sintomas não são exclusivos de doenças zoonóticas e podem estar relacionados a diferentes condições de saúde. A presença de sinais após contato com animais doentes, picadas ou exposição a ambientes de risco deve ser informada ao profissional de saúde.
Em situações como mordida ou arranhão de animal, especialmente quando há suspeita de exposição à raiva, é importante lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar atendimento de saúde sem demora.
Prevenção: o cuidado começa no dia a dia
A prevenção é uma das principais estratégias da Saúde Única e depende da participação da população, dos serviços públicos e de diferentes setores da sociedade. E entre as medidas recomendadas estão:
- Consumir água potável e manter os ambientes limpos;
- Evitar o acúmulo de lixo e água parada, reduzindo a presença de vetores transmissores de doenças;
- Lavar as mãos e higienizar adequadamente os alimentos;
- Manter a vacinação de pessoas e animais em dia, conforme as orientações das equipes de saúde e dos profissionais veterinários;
- Não tocar em animais silvestres nem manipular animais encontrados mortos ou doentes;
- Procurar orientação veterinária quando os animais apresentarem alterações de saúde;
- Utilizar medicamentos, especialmente antibióticos, somente com orientação profissional;
- Preservar áreas verdes, a biodiversidade e os recursos naturais.
Ações que contribuem na redução dos riscos de transmissão de doenças e melhorar as condições de saúde.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico das doenças relacionadas à Saúde Única depende da avaliação clínica, do histórico de exposição e, quando necessário, de exames laboratoriais ou outros procedimentos específicos. Informar ao profissional de saúde sobre contato com animais, picadas de insetos, viagens ou exposição a ambientes potencialmente contaminados pode ajudar na investigação.
O tratamento varia de acordo com a doença identificada e deve seguir a orientação de profissionais habilitados. Algumas condições podem exigir medicamentos específicos, acompanhamento clínico ou medidas preventivas após uma exposição de risco. Por isso, a automedicação deve ser evitada, e o atendimento não deve ser adiado diante de sinais de alerta.
A vigilância em saúde tem papel fundamental na identificação de casos, no monitoramento de possíveis surtos e na articulação de respostas entre os setores envolvidos. A integração entre os serviços de saúde humana, animal e ambiental permite reconhecer riscos com maior rapidez e organizar ações de prevenção e controle.
O papel da população e da Atenção Primária à Saúde
A Atenção Primária à Saúde (APS) contribui para a promoção da Saúde Única por meio da educação em saúde, da vacinação, da identificação de situações de risco, da vigilância de doenças e da orientação das famílias e comunidades.
A participação da população também é essencial. Adotar hábitos de higiene, cuidar dos animais, descartar corretamente os resíduos e comunicar situações de risco às autoridades competentes são atitudes que ajudam a proteger a saúde coletiva.
Neste 3 de novembro, a Estação OTICS-Rio Padre Miguel destaca a importância da Saúde Única e reforça que cuidar da saúde humana, proteger os animais e preservar o meio ambiente são ações que caminham juntas. A prevenção e a colaboração entre profissionais, instituições e comunidade são fundamentais para construir territórios mais saudáveis e sustentáveis.
Fonte(s):
Ministério da Saúde — Uma Só Saúde.
Planalto.gov — Lei nº 14.792.
Referência(s):
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Uma Só Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/u/uma-so-saude/uma-so-saude . Acesso em: 29 out. 2026.
2. BRASIL. Lei nº 14.792, de 5 de janeiro de 2024. Institui o Dia Nacional da Saúde Única. Brasília, DF: Presidência da República, 2024. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14792.htm . Acesso em: 29 out. 2026.